sexta-feira, 15 de julho de 2016

Tempo

Aos poucos meu espaço se abriu. Aos poucos sua presença me preencheu. Aos poucos eu adivinho seus desejos. Aos poucos você advinha os meus. Aos poucos. Talvez seja essa a forma com que esse novo amor (novo para mim) esteja se instalando. Não um amor anunciado pela primeira súbita troca de olhares. Também não um amor, que por vezes pareceu amor, mas, de fato, era amizade. Nem um amor que apenas fosse necessário, como regra da vida. A melhor definição (embora eu saiba que amar não comporta definições!) que encontro para esse amor é ser, fundamentalmente, sensorial.

Nascido (no inconsciente?) quando ouvi sua voz. Depois, quando senti sua mão, a pressão da minha mão em torno da sua. Imediatamente, seu cheiro – algo entre doce, herbal e fresco. Três impressões instauradas no terreno de um possível a ser explorado, mesmo a contragosto do juízo da razão, e depois desconstruído (lentamente) por suas suavidades. Então eu, que vivia entre vazios e plenitudes, algo como um incerto poema, ora nuvem, ora pássaro, ora frio, me vi como espaço aberto à clareza do que eu sentia, sem pensar como e porque sentia.

Harmonia. Esse amor é nossa harmonia, de um diante do outro! Acho que é isso.

Nos próximos dias tudo apenas existirá dentro de mim e - espero - de você. Que não seja saudade que dói o que irei sentir. Como você disse, apesar de um oceano a nos separar, ainda estaremos debaixo do mesmo céu. Quem sabe esse pouco que já tivemos possa transbordar no muito que ainda teremos...

Boa viagem!


3 comentários:

  1. Simples assim: "apesar de um oceano a separar, ainda estarão debaixo do mesmo céu.

    Felicidades

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  2. Ainda que incomoda, a Saudade (tão particular de nós brasileiros) é o portal para alguns momentos que eu considero muito especial, os reencontros!

    Abraço Grande! ;)

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